Homossexualidade

  • 22mar
    Artigos & Textos, Movimento Homossexual, Pensamentos, Vida Homossexual - Portal sobre a Homossexualidade / Homossexualismo

    Estamos sempre preocupados com o outro olhar e com o olhar do outro em nossas vidas. Desde que nascemos. Isso ocorre com todo o mundo, mas, por razões óbvias, bem mais em cima das minorias discriminadas e excluídas socialmente. Dois pontos estão sempre recebendo uma maior agudez, ainda, na visão dos habitantes desta sociedade imagética: O prazer e a aparência.

    Falemos do primeiro agora: O Prazer. Depois explico como os dois andam juntinhos, que nem unha e carne, um “apoiando” o outro e completando o caminho da infelicidade e da não realização do ser humano.

    Prazer nunca foi algo bem visto dentro de uma sociedade que já nasce culpada, que se estabeleceu em cima da culpa e onde todos são pecadores. Culpado. Mas, nesse mundo, teria que ser criadas válvulas de escape para tanta dor, sofrimento e miséria, que “permitem” algumas coisinhas prazerosas, desde que dentro do padrão aceitável pelo… olhar do outro. Essa expressão pode ser ampliada pelo olhar de um grupo, tribo, povo, região, religião e etc. onde ocorre uma padronização à procura de possíveis identidades em comum. Que, se não existirem tanto assim, podem muito bem serem fingidas (ou forjadas, ou imitadas ou representadas ou ainda impostas pela educação ou por regras verbais ou não verbais). Então, permitem (Eles permitem, os outros) que você frequente a balada da moda, desde que – é claro – você use uma roupa da moda, igual a que usa a sua turma e também consuma o que eles consomem, de música à comida, incluindo aí até gostos estéticos e Desejo. Você não pode se sentir atraído por um gordo ou por um coroa. A menos que esconda o seu desejo e, junto com o esconderijo, se sinta também culpado. Então, tudo bem. Você não é um “anormal”, sua própria culpa é uma prova disso. Anormal seria não sentir culpa. E a culpa, essa nossa (ini)amiga cerceadora vai te acompanhar por toda a sua vida e vai ser muito usada pelos outros , para que você não fuja, nunca do padrão. Compreende por que o prazer é tão temido por qualquer governo, sociedade, pelos poderosos? Por que transgride e desestrutura. Então, sempre, sob inúmeras desculpas, sejam higienistas, medicinais, comportamentais, religiosas, sociais, vão controlar você. Eles, os outros.
    A aparência idem. Hoje, virou pecado (de novo ele, culpa, lembra?) mortal envelhecer. Vivemos a negação do corpo e a negação da morte. Se o envelhecimento nos lembra que, um dia, morreremos, então em nome da “boa saúde” ele deve ser combatido. Olhe ao redor e veja que cabelos brancos só existem em mulheres muito idosas, antes há a obrigação da tintura, mesmo que eles venham aos trinta anos. No Brasil, segundo país que faz mais plásticas no mundo, depois dos Estados Unidos, a mulher será olhada como uma marciana, se deixar os brancos nascerem naturalmente em sua cabeça. No mínimo, será considerada “desleixada”. Engordar também não pode. Quem engorda é por que é uma pessoa preguiçosa que come demais…segundo eles, os outros…ué, mas comida é também um prazer, não? Se não for o maior que temos, sensorialmente falando. Prazer, percebe? Idem, culpa, percebe?

    Que delícia é quando você toma um banhão e sai por aí usando sua camiseta velhérrima e furada, mas a mais confortável do guarda-roupa, junto com aquele tênis encardido de três anos atrás, que não aperta seu pé. Que delícia quando você relaxa! Mas relaxar dá prazer, você não pode perder o controle pois pode ter alguém olhando, um outro. Reparem como a moda contribuiu, ao contrário do que pensam e pregam, com a sua infelicidade, já que ajuda a estandardizar as pessoas, a colocá-las em uma forma. E forma lembra prisão; uniforme; aperto; massificação; robotização. Forma não lembra prazer. Se você se vestir de forma diferente da sua tribo, prepare-se antes para as críticas, julgamentos e para se sentir mal. Moda é uniforme disfarçado. Pode não ter o logotipo da empresa ou da repartição, mas é o melhor exemplo de como sua aparência sofre a influência do olhar do outro. E de como você é, a cada dia, menos você, sem atinar… Tudo isso é, também, dor e sofrimento. No filme de Almodovar, “Tudo sobre minha mãe”, a personagem da travesti diz algo perante uma platéia, ao receber um prêmio, que me fez pensar muito: “Para mim, felicidade é você se aproximar, cada vez mais, do que entende por autenticidade”. Acho que é por aí.

    O que mais me doeu no comercial da Doritos foi justamente a negação da singularidade de cada um, me feriu mais que a homofobia comprovada do mesmo ( você pode dividir Doritos, mas não o seu Desejo ou o seu esfincter…). O rapazinho levando um saco do salgadinho na cara por que está relaxado, feliz e distraído ( se “distrair” é prazer, não?) do olhar cerceador do outro, por que está dançando YMCA , música de grande sucesso do grupo Village People e que se tornou um referencial e um hino gay. E, além de gay, essa música é considerada “brega” pela moda atual. Alguém aí sabe me dizer o que é isso, “brega”? Eu tive uma amiga maravilhosa em minha vida que era considerada brega: peruona, 80 quilos distribuídos em fartos seios que cheiravam à talco, cabelos platinados e misturava abóbora com verde e vermelho, pulseiras enormes e batom vermelhão. Nada nela remetia ao discreto. Aliás, “discreto” é outra palavra muito usada para controlar… Essa amiga vivia rindo, feliz e indiferente às criticas e julgamentos constantes que sofreu a vida toda. Sempre estava com uma camélia no cabelo e a casa cheia de flores e bombons, que comia sem dar a mínima se engordavam ou deixavam de engordar. Cantava os homens na cara dura… foi, sem dúvida a pessoa mais divertida e deliciosa que conheci na vida. Na véspera de sua morte, no hospital, comia chocolate de uma caixa escondida – quem levou não sei…- embaixo do travesseiro e ria com as músicas do Genival Lacerda. Foi enterrada usando cílios e unhas postiças, a seu pedido. Desculpem, mas nenhuma outra pessoa “discreta” e “elegante” ou “sensata” me deu tanta definição de felicidade como ela.

    A mensagem que esse comercial passa é a mais retrógrada possível: “Não divida com os outros quem você realmente é, não seja autêntico. Não relaxe nunca. Faça apenas o que a maioria faz. Viva conforme os ditames alheios, para não “pagar mico”… Que saco, não? Que saco deve ser você ter que se vigiar 48 horas por dia só para ser aceito…

    Tive o azar de trabalhar l4 anos com publicidade, na Folha de S.Paulo e em outros lugares e agências. Publicidade nunca representou um avanço, e sim um retrocesso. Estão sempre a um passo atrás, apesar dos publicitários que trabalham com criação se julgarem os donos da Revolução. Sem avançar, compactuam com o que esta sociedade tem de pior: Ditadura da estética e o mito da juventude eterna, estimulam a selvageria do capitalismo e do consumismo desenfreado, afastam as pessoas da busca de si para apenas aparentar. E ter. Incutem objetos de desejo em quem não pode tê-los. Como o que interessa é vender, é o lucro ou o ibope de uma marca, os meios não interessam. Trabalham em cima do “mass média”, o que interessa para eles é que você nunca pense ou questione tudo isso, pois, se pensar ou questionar podem perder lucros. Mas, reconheço: Têm muito mais a ver com a sociedade imagética que aí está do que os que tentam, desesperadamente, serem autênticos. Não viverei para ver o contrário, ou seja, uma publicidade cuja mensagem fosse: “seja mais verdadeiro e honesto consigo mesmo”. Os argumentos, furadíssimos, dos que defendem o comercial, são “bom humor”; “que só queriam mostrar alguém pagando mico” ou “a maldade está na cabeça de quem assiste” ( esse é triste, tão triste que chega a ser cômico, nega o todo poder da mídia…); “demonstrar como é gostoso consumir Doritos entre amigos”… Pois é. Pouco interessa se o comercial é pouco ou muito preconceituoso. Muitas vezes a sutileza da estigmatização e as entrelinhas ferem mais que um assassinato. Eu me cansei de ser ridicularizado. E você? Qual é o seu limite? Quantas vezes já passamos por situações parecidíssimas com essa mostrada no comercial? O que eu sei, com toda a certeza, é que as pessoas seriam muito mais felizes se dançassem YMCA nas ruas, diariamente, sem levar saco de Doritos na cara. E que pudessem expressar a luz do próprio olhar, sem se preocuparem tanto com o olhar do outro.

    Por Ricardo Rocha Aguieiras ( aguieiras2007@gmail.com  )


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    .................................... Por Fabrício Viana, autor do livro O Armário (Homossexualidade)

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  • 25jan
    Eventos LGBT, Movimento Homossexual - Portal sobre a Homossexualidade / Homossexualismo

    O carnaval em São João del-Rei ganha mais brilho, alegria e reivindicação em 2009. Isso porque o Movimento Gay da Região das Vertentes (MGRV) sairá no dia 21 de fevereiro a partir de 15h00min com o “BLOCO SEM PRECONCEITO – MGRV“. A idéia surgiu para aproveitar o grande número de turistas que circulam pela cidade histórica nessa época do ano e divulgar a Lei Municipal Nº4.172/07 que combate e pune atos discriminatórios por orientação sexual. O Bloco organizado pelo movimento gay da região tem foco em algumas áreas de atuação tais como:

    Carlos Bem

    Carlos Bem

    - Direitos Humanos: O MGRV começa 2009 focalizando a reivindicação pela aprovação do PLC122/06 em tramitação no Senado. Para tanto, distribuirá folders com a logo da Campanha Nacional NAO HOMOFOBIA idealizada pelo grupo Arco-Iris(RJ) e pedirá que a população acessem o site www.naohomofobia.com.br e assinem o abaixo eletrônico em favor da Criminalização da Homofobia. O Presidente e fundador do MGRV Carlos Bem denuncia que a cada dois dias um homossexual é assassinado no Brasil de acordo com crimes divulgados pela imprensa e sistematizados pelo GGB(Grupo Gay da Bahia). Porém, o ativista acredita que os dados são subnotificados e o número ultrapassa a estatística apresentada. “Só em 2008 foram cerca de 150 assassinatos. Já passou da hora de fazer alguma coisa pra frear esse homocídio! Queremos que os Senadores Mineiros votem favoráveis ao PLC122″ afirma Carlos Bem.

    - Luta Contra a Aids: O MGRV também tem o foco no enfrentamento da epidemia de Aids e outras DST. Para tanto desenvolve ações de conscientização da impotância do uso do preservativo em todas as relações sexuais. O último boletim epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde mostra que cresceu assutadoramente o número de jovens gays infectados com o vírus HIV. “Sabemos que o Carnaval é uma época do ano onde as relações sexuais estão mais intensas. Os hormônios ficam a flor da pele. Nesse sentido o MGRV não furta-se do seu compromisso social com o público-alvo. Se depender de nós nenhum gay, HSH, Travesti e lésbicas serão infectados, mas é preciso que cada um faça sua parte” esclare o militante.

    - Promoção da Cultura LGBT: Outro objetivo do MGRV ao sair com o bloco é a promoção e divulgação da cultura LGBT. Para Carlos Bem a cultura LGBT só teve visibilidade depois que o MGRV começou a reivindicar espaço. No ano passado o MGRV recebeu um Prêmio do Ministério da Cultura por realizar ações para promoção da Cultura como ferramenta de luta contra Homofobia e Transfobia. E se depender do MGRV os LGBT terão cada vez mais acesso à cultura. “Vamos ocupar todos os espaços públicos possíveis para discutir e valorizar nossa música, nossas manifestações artísticas, nossa maneira de ser…nossa identidade cultural  e promover o que temos de mais forte: a Cultura de PAZ” relata Carlos Bem.

    - Fortalecimento do Turismo: O MGRV quer colocar a cidade de São João del-Rei como pólo do turismo LGBT em Minas Gerais e usar essa ferramenta para promover a cidadania e inclusão social das pessoas LGBT do município. “O turismo GLS precisa estar na agenda do governo municipal como importante fonte de geração de renda e movimentação da economia local. E vamos mostrar que temos potencial pra isso”.

    O “BLOCO SEM PRECONCEITO – MGRV” será concentrado no Terminal Turístico em São João del-Rei no dia 21 de Fevereiro a partir de 15h00min. A organização espera cerca de 03 mil pessoas. Mesmo número divulgado pela Polícia Militar na 1ª Parada da Cidadania e do Orgulho GLBT do ano passado. “Esperamos cerca de 03 mil pessoas. Na parada em 2008 estava chovendo e atrapalhou um pouco, esperamos um sabadão de carnaval com sol, calor e muita alegria!” afirma Carlos Bem presidente do MGRV. O bloco será animado ao som de deejays, performaces de drags da cidade e gogoboys.

    O BLOCO SEM PRECONCEITO – MGRV conta com o apoio da Prefeitura Municipal de São João del-Rei, através da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura e do Programa Municipal de DST/AIDS.

    O presidente do MGRV, Carlos Bem (foto acima), espera contar ainda com o apoio da imprensa local. De acordo com o ativista, com exceção de um órgão de imprensa que enfrenta na justiça a  acusação de homofobia, demais órgãos de imprensa no municípío tem sido extremamente simpatizantes e aliados.

    O  MGRV, a toda população sãojoanense para participar do bloco e estende o convite aos turistas, sobretudo LGBT, para conhecerem a cidade mais simpatizante da Região das Vertentes.

    “É um bloco para todas as raças, todas as cores, toda orientção sexual, filiação partidária, credo, idade, é o BLOCO DA DIVERSIDADE”.


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    .................................... Por Fabrício Viana, autor do livro O Armário (Homossexualidade)

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  • 05jan

    Existe ex-gay? Ex-homossexual? Ex-heterossexual? Ex-viado? Essa é a pergunta primordial para muitos. E a resposta é simples. Pode existir sim, porém, a explicação é complexa e deve ser estudada e compreendida ao pé da letra. Leia tudo com atenção!

    O principal problema do ex-gay é que, a maioria das pessoas que se dizem serem ex-gays, ex-viado, ex-homossexuais, etc, são pessoas que encaram a homossexualidade como uma doença, perversão ou, no mínimo, um pecado divino que o homem jamais poderia praticar. Em outras palavras, a maioria dos ex-gays assumidos publicamente se dizem “curados” deste mal. E isso é um problema grave pois a homossexualidade não é pecado. Homossexualidade não é um mal. Não é castigo divino e muito menos uma perversão sexual. A homossexualidade, como bem cito no meu livro O Armário com vários exemplos e dados históricos, é apenas uma das várias vertentes da sexualidade humana. Isto é, a homossexualidade é algo natural, aceitável e que deve ser praticado por todos aqueles que sentem tais desejos.

    Fabrício Viana no programa de TV Show +

    Fabrício Viana no programa de TV Show +

    Neste caso, reprimir a homossexualidade é negar parte de si mesmo. E muita gente, por estar infiltrado dentro de alguma religião onde ela é – erroneamente – condenada, passa por diversas crises e angústias desnecessárias. Muitas delas se “convertem” e acabam comprando a idéia de que a homossexualidade é uma doença, se livrando deste mal, casando-se com alguém do sexo oposto, tendo filhos e, em muitos casos, tendo uma vida insatisfatória.

    Este é um ponto. Outro ponto é a variável da sexualidade humana. Conceitos como homossexual, bissexual ou heterossexual foram criados para classificarmos a orientação sexual. Mas ela não é fixa, rígida ou invariável. Ela pode ser mutável. E muito. Por exemplo, hoje um homem casado com uma mulher pode se sentir atraído por outros homens. Assim como sua esposa pode se sentir atraída por outras mulheres em determinado momento de sua vida. Se isso acontecer e um dos dois assumir uma identidade homossexual, podemos dizer que eles agora são “ex-heterossexuais”.

    O mesmo vale o inverso. Um homossexual pode, em determinado momento de sua vida, se sentir atraído por alguém do sexo oposto naturalmente, isto é, sem ter nenhum conflito com a condeção histórica e religiosa da homossexualidade lhe perturbando a mente. E assim se considerar um “ex-homossexual”. Sem achar que isso foi uma cura, uma conversão ou uma reviravolta a “vida normal”. Afinal, a homossexualidade hoje em dia também entra dentro do padrão da normalidade.

    Neste ponto de vista, ex-gays e ex-heterossexuais, assim como ex-ex-gays e ex-ex-heterossexuais, também podem existir como identidade criada. Mas também não podem permanecer rígidas. Por exemplo, um ex-gay, que agora é heterossexual, não pode dizer que jamais sentirá novamente desejos sexuais por pessoas do mesmo sexo. Muitos acreditam que não. Se ele já provou algum dia terá no mínimo uma tendência bissexual. O mesmo acontece com um ex-hétero. O que se sabe é que a orientação, por si só, pode ou não ser mudada ao longo da vida. E se ela for mudada, a mudança partirá do íntimo de cada um, isto é, de dentro para fora (e não por terceiros). Existe também aqueles em que a orientação nunca mudará. São pessoas que nascem, crescem e morrem apenas com uma única orientação sexual durante toda a sua vida, sendo totalmente homossexual, heterossexual ou bissexual.

    Então, quando se fala de ex-gays, deve-se ter em mente que muitos deles, ao aparecerem na mídia, aparecem com um discurso que envolve pecado e condenação. Isto é, eles aparecem e dizem que deixaram a homossexualidade como se abandonassem um vício de drogas. Como se isso fosse realmente uma doença. E isso é errado.

    A homossexualidade na visão da psicologia, medicina, psiquiatria e várias ciências não enquadradas dentro da área da saúde, como a sociologia ou antropologia, entre muitas outras, sabem que ela não é e nunca será uma doença. Sendo apenas mais uma das expressões naturais e sadias da sexualidade humana.

    Mesmo porque, alguém já viu alguma reportagem sobre “ex-heterossexuais“? Alguém já viu um ex-heterossexual assumido? Não existem em reportagens (embora existam muitos na vida real, veja como exemplo eu ou os mais de 2 milhões da parada lgbt de São Paulo). Porque a heterossexualidade, historicamente, não foi e ainda é condenada por religiosos como a homossexualidade é. Isso é um ponto importante que todos, inclusive jornalistas que preparam estas matérias de “ex-gays” precisam entender ao criar reportagens que só dividem ainda mais as opiniões da população leiga ao invés de mostrar a realidade: o preconceito (que eles mesmos ajudam a proliferar).

    Para concluir, ex-gays, ex-homossexuais, ex-viados ou como vocês preferem, existem sim, mas com todas estas ressalvas. Assim como existem ex-heterossexuais que, infelizmente, são esquecidos na mídia. Mais informações entre em contato, visitem o site do meu livro ou deixem suas opiniões por aqui mesmo.


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  • 12nov
    Homofobia, Movimento Homossexual, Vida Homossexual - Portal sobre a Homossexualidade / Homossexualismo

    César Maia, prefeito do Rio de Janeiro, assinou o decreto 33.033/2008 que aprova a lei 2475/96 que pune de forma administrativa estabelecimentos comerciais, industriais e repartições públicas que discriminarem pessoas por conta de sua orientação sexual. Um ganho na questão dos direitos dos homossexuais.

    Confira a lei na íntegra:

    Rio de Janeiro - Lei 2475/96

    Rio de Janeiro - Lei 2475/96

    LEI Nº 2475, DE 12 DE SETEMBRO DE 1996.

    Determina sanções às práticas discriminatórias na forma que menciona e dá outras providências.
    Autor: Comissão de Defesa dos Direitos Humanos

    O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO,

    faço saber que a Câmara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte lei:

    Art. 1º – Os estabelecimentos comerciais, industriais e repartições públicas municipais que discriminarem pessoas em virtude de sua orientação sexual, na forma do § 1º do art. 5º da Lei Orgânica do Município, sofrerão as sanções previstas nesta Lei.

    Parágrafo Único – Entende-se por discriminação, para os efeitos desta Lei, impor às pessoas de qualquer orientação sexual situações tais como:

    I – constrangimento;
    II – proibição de ingresso ou permanência;
    III – atendimento selecionado;

    IV – preterimento quando da ocupação e/ou imposição de pagamento de mais de uma unidade, nos casos de hotéis, motéis e similares.

    Art. 2º – As sanções impostas aos estabelecimentos privados que contrariarem as disposições da presente Lei, as quais serão aplicadas progressivamente, serão as seguintes:

    I – advertência;
    II – multa mínima de mil, duzentas e cinqüenta e quatro Unidades Fiscais de Referência – UFIR;
    III – suspensão de seu funcionamento por trinta dias;

    IV – cassação do alvará.

    Parágrafo Único – Na aplicação das multas será levada em consideração a capacidade econômica do estabelecimento infrator.

    Art. 3º – VETADO.

    I – VETADO;
    II – VETADO;
    III – VETADO.

    Parágrafo Único – VETADO.

    Art. 4º – VETADO.

    Parágrafo Único – Da regulamentação de que trata este artigo constarão obrigatoriamente:

    I – mecanismos de denúncias;
    II – formas de apuração das denúncias;
    III – garantias para ampla defesa dos infratores.

    Art. 5º – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.


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  • 17out
    Artigos & Textos, Diversidade GLS - Portal sobre a Homossexualidade / Homossexualismo

    Uma das coisas que mais ouço quando as pessoas descobrem que sou gay é: “No início foi difícil acreditar. Você nem demonstra”. Surge então o questionamento: O que significa demonstrar? Baseadas em quê as pessoas concluem se alguém é ou não homossexual?

    Estereótipos da Homossexualidade - Gay Caricato

    Estereótipos da Homossexualidade - Gay Caricato

    Estereótipo é a palavra. Falsas construções mentais que surgem e se difundem na sociedade, fortalecidos pelos meios de comunicação. Se é difícil para as pessoas imaginar um gay não efeminado ou uma lésbica não masculina, isso deve-se à força desses pré-conceitos.

    Torna-se fácil, então, entender o medo de “sair do armário“. Os estereótipos acerca da homossexualidade nos fazem ser taxados de depravados e sem compromisso, além de ainda nos incluírem absurdamente como grupo de risco em relação à exposição ao vírus HIV, nos postos de coleta de sangue.

    Numa cidade do interior, os estereótipos reforçam-se ainda mais, devido ao pouco contato com grupos sociais fora dos “padrões de normalidade”, como pessoas assumidamente homossexuais. Dessa forma, inicia-se um ciclo que reforça ainda mais os estereótipos. O homossexual, sabendo do estigma que ao carregar esses rótulos estará exposto, tende a se isolar, diminuindo o contato da sociedade com oportunidades de experiências novas e que poderiam derrubar aos poucos os estereótipos.

    Outra reação comum que enfrento, junto ao meu parceiro é a conclusão que eu sou o “homem da casa” ou, no âmbito sexual, eu sou o ativo, porque ele demonstra mais ser gay, por ser extrovertido. Mais um estereótipo, mais um questionamento: Precisa parecer “machão” para ser ativo? Todo passivo tem que ser efeminado, ou ainda, todo efeminado é passivo?

    Como pessoas “vítimas” dos estereótipos, percebemos que eles não se aplicam a toda a comunidade homossexual (até porque senão não seriam estereótipos). Nós, que nos sentimos atraídos por pessoas do mesmo sexo, somos gays, lésbicas, bissexuais. Somos travestis, transsexuais ou drag-queens. Somos homens efeminados ou não e mulheres masculinas ou feminíssimas e, acima de tudo, não há entre nós melhores ou piores, assim como não sou superior ao meu parceiro somente porque eu “nem demonstro”.

    Essa é uma questão que não se aplica somente aos homossexuais. É preciso banir qualquer estereótipo, apagar as imagens pejorativas que afetam os grupos sociais estigmatizados. Para isso, deixo aqui duas propostas. A primeira é começar a extinguir os estereótipos por você. Quais são os seus preconceitos? E a segunda proposta é, na verdade, um desafio a fazer algo no seu meio de convívio, respeitando os seus limites, mas com uma dose de ousadia. Promíscuo ou com relacionamento estável, efeminado ou não, mostre às pessoas sua essência, as suas virtudes e que você está acima de qualquer rótulo, como as “bichas” caricatas que estamos acostumados a ver nos programas de humor.

    Marcel Guérios (texto publicado orignalmente na TVTudo em 2005)
    mguerios@ibest.com.br


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  • 05out
    Artigos & Textos - Portal sobre a Homossexualidade / Homossexualismo

    Homossexualidade: reprimir é negar a essência!

    A definição de essência, segundo alguns filósofos, é “aquilo que faz uma coisa ser ela mesma e não outra”. Já a definição de repressão, segundo o dicionário Aurélio, é “ato ou efeito de reprimir (-se), isto é, não deixar que aconteça, ou que prossiga, se manifeste, se movimente, se desenvolva; conter, coibir, refrear. Não fazer ou não completar (gesto, expressão de sentimento); disfarçar. Oprimir. Punir, castigar. Dominar, controlar ou moderar as próprias ações”. Sendo assim, quando alguém se reprime ou é levado a reprimir-se nos aspectos constitutivos do seu ser, essa pessoa estará deixando de ser ela mesma para ser outra. Estará falseando a sua própria realidade enquanto ser, realidade existencial.

    Homossexualidade

    Homossexualidade

    No que concerne à questão da orientação (uso o termo orientação ao invés de opção, por achar que opção é da ordem do fazer e orientação é da ordem do ser) sexual homossexual, contemplo um fenômeno semelhante ao que expus anteriormente.

    Quando um homossexual assume-se enquanto homossexual perante ele mesmo ou perante ele e a sociedade, vejo que é o passo inicial para que consiga galgar os demais passos no processo de autoconhecimento. O segundo passo a ser desenvolvido, talvez, seja a atitude de aceitação dessa orientação sexual, isto é, daquilo que faz dele o que ele é, portanto, sua homossexualidade. Com essa aceitação é provável que começará a canalizar, direcionar suas energias, instintos, desejos, vontades e etc. A partir de então dará início a uma nova fase de sua vida sexual ou no processo de descobertas dessa vida sexual, que a meu ver é o terceiro passo o qual chamo de fase da administração daquilo que já assumiu e que já aceitou. Nesse atual estágio da vida e das descobertas, a pessoa transformará o pseudoproblema da homossexualidade numa situação natural (não uso o termo normal para não incorrer no binômio: normal versus patológico) e confortável na sua própria existência (no seu ser) e perante a sociedade como um todo.

    Por outro lado, quando alguém que tem uma orientação sexual e desejos homossexuais, mas os nega, em função de uma repressão social ou por um sentimento de auto-repressão, essa pessoa viverá negando algo que é parte constitutiva do seu próprio ser, isto é, que é essencial a sua existência. Ao negar o que é essencial em seu ser, tenderá a construir algumas possibilidades de suprir aquela falta do que é negado por ele mesmo, vivendo, conseqüentemente uma vida que não é dele, ou melhor, vivendo sem ser ele mesmo. Será um “enrustido” ou “viverá no armário”, como é sentenciado pelos homossexuais mais resolvidos, que já se assumiram, aceitaram-se e administram sua homossexualidade de forma tranqüila e salutar.

    Portanto, faz-se necessário a partir do momento que uma pessoa entre em contato com os seus desejos mais profundos e perceba uma orientação para a sua homossexualidade, que busque informações a cerca do assunto com profissionais competentes (por competência entendo aqueles que agem guiados pelo conhecimento e pela sabedoria e não pautados no pré-conceito e na opinião) para que o ajude nesse processo de descoberta e desenvolvimento sexual. Essa busca de conhecimento e autoconhecimento deverá se feita através do contato com o saber acumulado de geração em geração (existem ótimas bibliografias) e também através do contato com os próprios sentimentos, pois estas duas diretrizes levarão o homossexual, quase que naturalmente, ao tripé necessário a sua realização pessoal: assumir, aceitar e administrar a sua homossexualidade. E com isso livrando-se da hipocrisia que assola nossa sociedade dita pós-moderna em algumas direções e tão retrógrada em outras, pois força a repressão dos aspectos constitutivos dos seus indivíduos, onde o que vale é a ordem do discurso e o faz-de-conta. E, onde o real e o essencial, muitas vezes, são substituídos por formas artificiais e superficiais de se viver.

    Prof. Miguel Gomes (publicado na TVTudo em 2005)


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  • 05out
    Artigos & Textos, Homofobia - Portal sobre a Homossexualidade / Homossexualismo

    Homossexualidade: patologia sexual? Nos últimos dias, tivemos notícias de casais homossexuais sendo discriminados e repreendidos dentro das universidades.

    No dia 07 de outubro de 2005 uma reportagem do jornal Folha de São Paulo (página C1) noticiaram o exposto acima.

    O primeiro caso, em resumo, traz a notícia de um casal de duas garotas que estavam na cantina da Universidade de São Paulo (USP) quando foram abordadas por uma policial militar após esta ter visto uma no colo da outra e ao trocarem um beijo, um “selinho” de acordo com o casal. Já a versão da PM: “as duas se beijavam de forma acintuosa e trocavam carícias nas partes íntimas, o que configurou ato obsceno”. No entanto, os depoimentos das pessoas que estavamem companhia do casal, assim como as que presenciaram o fato estão de acordo com o dito do casal.

    Tirem suas conclusões…

    Também no mês de setembro, de acordo com outra reportagem do mesmo jornal (página C1), “por estarem se beijando, dois estudantes homossexuais foram repreendidos por um segurança no campus da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) em São Gonçalo (região metropolitana do Rio). O fato ocorreu em setembro e gerou protestos de grupos que combatem a discriminação de homossexuais”.

    Em outra universidade, localizada no interior do centro-oeste paulista, são ministradas aulas de Medicina Legal cujo conteúdo programático esta incluído o estudo das patologias sexuais. De acordo com as aulas “os desvios de conduta sexual (parafilias) ocorrem quando as vias normais para sua satisfação não forem atendidas”.

    Entre as “modalidades parafílicas e modificações do instinto sexual” estão incluídas “o homossexualismo: tendência a prática sexual com indivíduos do mesmo sexo. Nas mulheres é também chamado de lesbianismo”.

    As causas do “homossexualismo” e “lesbianismo” são também explicados de forma muito lógicas, racionais e criteriosa (existe alguma causa??!!): “manisfesta-se principalmente em presídios, colégios, internatos, conventos”. Agora está explicado….

    Mais esclarecedor é a explicação sobre o que é etiologia como causa do lesbianismo, sendo a “decepção com homens, receio de gravidez, maus tratos do marido, solidão”.

    Se pensarmos que essas aulas devem ser ministradas a centenas ou milhares de alunos, podemos constatar a gravidade do fato.

    Em pleno século XXI, permitir que isso ocorra em uma universidade, no mínimo, nos leva a duas hipóteses: 1º) todos são inocentes e não sabem que em 1973 a Associação Psiquiátrica Americana retirou a homossexualidade da lista de transtornos mentais, decisão essa que foi seguida pela Associação Americana de Psicologia, pela Associação Brasileira de Psiquiatria, pelo Conselho Federal de Medicina e pela Organização Mundial de Saúde; ou 2º) são todos conscientes do que fazem e pactuam de uma forma ou de outra com a discriminação, preconceito, com as mortes de homossexuais por crimes de ódio e outros atos de intolerância.

    Tirem suas conclusões….

    Fernando Chrispin de Oliveira
    fernando_chrispin@hotmail.com (originalmente publicado na TVTudo.com em 2005)


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    .................................... Por Fabrício Viana, autor do livro O Armário (Homossexualidade)

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  • 04out
    Homofobia, Movimento Homossexual, Religião & Homossexualidade - Portal sobre a Homossexualidade / Homossexualismo

    Panfleto que revela a intolerância, ignorância e preconceito contra homossexuais por uma parte de religiosos homofóbicos. O que mais me perturba, além das mentiras sobre o Kassab, é como eles “usam” a homossexualidade para deturpar fatos, acontecimentos, etc. Tudo baseado nas “leis de Deus”. Gente, vai ser burro assim lá na puta que pariu!!!

    Segue trechos e créditos: http://www.fotolog.com/adoraaando/54168202 (que encontrou o panfleto no chão do metrô Belém):

    Povo de Deus não vota em Gay

    Povo de Deus não vota em Gay


    - “O povo de Deus, que preserva e valoriza a família, não vota Kassab. Ele é gay. Seu número verdadeiro é 24.”
    - “Tem gente que apóia casamento entre pessoas do mesmo sexo. O prefeito Kassab sai na frente, já convive com seu marido.”
    - “Ninguém vê o Kassab comentar sobre sua família na TV ou qualquer lugar. Não pode apresentar seu homem.”
    - “Kassab proibiu a marcha para Jesus na Av. Paulista, mas permite, participa e apóia a vergonhosa passeata gay.”
    - “Kassab fechou casas noturnas de mulheres e nunca fez nada contra boates Gays e casas de massagens freqüentadas por homossexuais.”

     

    Que lixo não? Usar nós, gays, para tentar difamar o Kassab. Até quando gay será sinônimo de coisa ruim? Que foda… por isso que passarei a minha vida inteira criando, militando e gerando re-educação sobre a homossexualidade… estas coisas me irritam profundamente…


    4 opiniões, opine também!


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